sábado, 19 de setembro de 2020

A teia dos streamings: a música em tempos de pandemia

Recentemente, apareceram vários textos falando sobre os streamings, principalmente a mais popular das plataformas, que é o Spotify. Em parte, pela entrevista do CEO da plataforma, pagando de bom moço e dizendo pros artistas criarem mais. Isto, devido a revolta por parte de músicos ao redor do mundo com o baixos pagamentos em meio ao momento de pandemia. Em muito, pela crescente que se deu aos serviços virtuais com a pandemia mundial da covid-19, o que resultou no boom atual do Bandcamp. Tentamos falar disso com textos curtos no nosso twitter ou com vídeos no stories do nosso instagram. Porém, as dúvidas persistiam e outras perguntas surgiam em nossas redes. É por isso que esse texto existe, ele foi basicamente feito em cima de nossas experiências com os serviços de streaming, o Bandcamp, um pouco sobre mercado e um pequeno estudo de caso prematuro do que tem rolado com nosso selo virtual de poucos meses. 

Ao longo do nosso texto, nos linkamos diversos outros que saíram em sites do Brasil e até alguns gringos. Boa sorte, o assunto é extenso e infinito!

 

Os streamings em geral funcionam como o mercado publicitário, onde as "majors" ou gravadoras que sobraram depois da "quebra" na virada dos anos 2000 com a chegada do download comunista etc, conseguiram dar a volta e se firmar novamente como narradores principais de uma história. Inclusive usam a desculpa da crise pra pagar menos grana ao artista por visualização/audição e também cobram menos ao público, para ganhar no montante (atingir mais pessoas, o que gera mais receita com marcas para propaganda).

Óbvio que não é uma relação direta, tanto que quando streamings como o Spotify começaram a chegar em peso por aqui, tentei experimentar e era comum que vez por outra estar ouvindo sons como o da Hurtmold e entrava um som novo da Ivete, ou o lançamento imperdível do "João e Sorocaba" da vida. Na época em que o Spotify procurava criar os embaixadores aqui no Brasil, indo atrás de diversos blogs e site de cultura, questionei o porquê desses sons diferentes entrarem numa audição que não se adequam na mesma tag e a desculpa que ouvi foi de que "É tudo música brasileira". Mas o que acontece na realidade é que a gravadora/ major desses artistas, como a Som Livre que detém boa parte das duplas sertanejas, que está pagando uma espécie de "Jabá virtual" pro som deles chegar na maior quantidade de público possível. 

Com o fim do mercado físico, ou seja, adeus cd/vinil com venda massificada, esses próprios meios de streaming privilegiam o mercado do single através de playlists, por exemplo. Por isso aparecem vários novos hits de pessoas desconhecidas ligadas ao mercado (por essas majors, msm sem popularidade alguma). Além disso, voltou a ser popular o feats, estratégia antiga do mercado da música, onde se reúnem dois nomes pra agregar mais público. Só que hoje em dia, essa estratégia é totalmente esvaziada, seja pelo mercado das gravadoras ou o fato de que os feats não passam de transações virtuais entre empresários. Os artistas nem chegam a se conhecer, tudo feito online, sem nenhuma troca realmente, como bem frisou Rômulo Fróes em uma de sua aulas no Youtube da rádio Batuta (juntamos as video aulas numa playlist).

E essas majors normalmente estão presentes e essas ações podem se repetir e provavelmente acontecem na maioria dos serviços de streaming porque todos eles estão ligados a algum conglomerado econômico que envolve artistas gigantes do mainstream e gravadoras e a grande maioria deles não se preocupa com a música e os artistas pequenos e indies, o que move tais espaços é publicidade. Publicidade é sobre números em audiência (de ouvintes) e não valores pagos. 

E obviamente não é um mercado honesto, a música não importa, mas nunca irão te dizer isso. Porém, irão usar a música para propagar que “temos milhões de novas músicas”, ou que chegamos ao número de x milhões de assinantes. Eles conseguem chegar nesses números estratosféricos, mas eles não ligam se 90% dos ouvintes escutam apenas 1% dos artistas. Também nunca achei uma explicação do calculo de repasse de audições para os artistas, ou correlação com os direitos do autor. Eu consigo achar os valores pagos, mas o porquê desses valores, nunca encontrei.

Fiz uma pesquisa rápida na net e, os números mais recentes que achei foram de 2018, existem posts mais recentes, deste ano, mas não esclarecem se os número são atuais. Vamos ao que descobri de maneira simples: todos os streamings pagam valores que podem ser considerados baixos aos artistas, mas Tidal e Rapsody/ Napster estão sempre no TOP 3 de melhores pagadores. O terceiro nome varia entre a Amazon e o Itunnes/ Apple Music, dependendo da pesquisa que você encontre. Mas existe uma discrepância nos valores pagos pela Amazon entre alguns textos que li e não sei qual a realidade. Saca essa tabela de 2018 do sondcharts (um site referência nessas pesquisas musicais, segundo a querida Kátia Abreu):


No Brasil, o Tidal tem feito playlists exclusivas com nomes ligados a música em cada estado. Lembro da querida Sarah Falcão fazer uma playlist com sons de Pernambuco, o grande ChicoCorrea fazer a com músicos da Paraíba, pra citar 2 nomes. A assinatura no Tidal varia entre R$ 8 e uns quebrados para estudantes até planos de cerca de R$50 para até 6 membros da família. Um ponto negativo que vejo no tidal é que não é possível procurar sons na plataforma sem logar. Mas a galera é sempre muito solicita nas redes sociais (diferente da deezer) e sempre me mandam os links dos álbuns que temos upados pelo selo. Vez por outra alguns sons que upamos pro selo, não estão disponíveis por lá, mas eles informaram que isso é um problema da distribuidora para os streamings e enviaram um link onde é possível solicitar álbuns ou artistas pra que os mesmos apareçam por lá! Ou seja, você artista, se teu som não tá numa das plataformas que melhor pagam no mercado de streaming atualmente, solicite que seu som apareça no Tidal, NESSE LINK!

Já o renovado Napster, em sua página inicial informa o valor de R$17,90 na assinatura para uso da plataforma, o que equivale a R$1 a mais que o plano individual do Spotify e da Deezer, que também é popular no Brasil e não está entre o melhores pagadores. Além do valor, o napster ainda tem um plano ligado a VIVO, tal qual o que a TIM tem com o Deezer. Então, você que usa VIVO, sabendo que o napster paga melhor seu artista favorito que o spotify ou a deezer, o que ainda faz nestas plataformas?!

Em texto recente do Pedro Amorim pro El Cabong, ele chama o spotify de “explorafai” e eximi o público da culpa por esta exploração. Eu acredito que muita gente tem noção de quão pior pagador o Spotify é, eles apenas não ligam pra isso. É normal deixar a propaganda ditar a nossa vida e o mercado, por isso, o spotify, que é uma das piores pagadoras para os artistas, também é a que mais investe em propaganda, ou parcerias. Boas partes dos festivais do Brasil tem ou já tiveram um “palco spotify”, eles também criam playlits exclusivas nas plataformas, entre outras ações. Diversos sites de cultura utilizam links do spotify em todos os seus posts, isto é parte do contrato para ser um “embaixador spotify” e, vez por outra, ter alguma regalia em alguns destes festivais que tem palco com nome da empresa.

O Pedro faz uso de outra tabela em eu texto no El Cabong, que mostra quantas vezes sua música precisa ser ouvida pra ganhar um salário mínimo. O mais triste dessa tabela é constatar que o salário mínimo no Brasil é tão baixo, que é mais “fácil” ganhar um salário mínimo com sua música por aqui, do que na maioria dos países que estão na tabela. Isso fala muito sobre a nossa moeda, mais ainda no momento atual de “crise” que vivemos. O dólar alto “facilita” receber melhor por essas plataformas, já que é a moeda que rege os pagamentos.

Falando um pouco da Amazon, além do aplicativo pra ouvir música, outra plataforma ligada a Amazon tem sido muito usada para consumo de música. Estou falando do Twitch.tv, a plataforma de streaming por vídeo, super popular entre gamers de todo mundo. Em pesquisa recente da Buzz Music Content, o público que respondeu que tem acompanhado vídeos e streaming de música ao vivo com mais afinco pelo Twitch que pelo youtube durante esse período de pandemia. O Youtube,  a plataforma mais popular do mundo, é um dos piores pagadores dos streamings e ainda tem regras como número mínimo de assinantes para passar verba de propaganda pro artista/ dono do canal. O Twitch cresceu tanto no Brasil, que criou uma divisão para música, um dos cabeças do atual momento é Fabricio Nobre, do festival BANANADA. 

Artistas híbridos como o mineiro Vitor Brauer, que também é gamer, têm realizado shows mensais no Twitch, quando bate as metas de inscritos assistindo ou assinando seu canal. O próprio Vitor já explicou o caminho de como dar dinheiro pro seu “gamer favorito”, mesmo no mês gratuito de uso da Amazon. Ou seja, você pode não pagar um real a plataforma e mesmo assim fazer seu gamer/ músico favorito receber pela plataforma.

Agora não da pra apontar o dedo para o streaming e o chamar de mal, se você está lá consumindo de boas, mesmo sabendo que eles pagam mal seu artista favorito. Isso te faz cúmplice sim. É a mesma coisa que acontece com política. Não é porque A e B tem mais propaganda e espaço na mídia e web que existe apenas essas opções e a maioria das pessoas sabem disso. Suas escolhas são suas, o tempo todo você pode ser manipulado, mas se você sabe da existência de outros caminhos e escolhe o mais fácil, o problema também está em você. Se a música é parte importante da sua vida e você valoriza seu artista preferido, isso é uma informação que pode ser relevante pra você. Se todos pagam mal, então escolha o menos ruim!

É importante deixar claro também que nem tudo é 100% ruim, o sistema de buscas do Spotify e a enorme rotatividade de playlists como a de "novidades da semana" pode ser atraente e lembrar o tempos de rádio. O problema no que tange esse texto é a falta de clareza das escolhas da plataforma, bem como a falta de clareza quanto ao calculo de repasses, entre outras coisas. Se você está tranquilo quando a isso, provavelmente esse texto não é pra você.

Outra coisa é que boa parte dos exemplos e problemas apresentados acima, estão no viés do consumidor/ ouvinte e não do artista. Obviamente que valores pagos é importante pro artista, mas segue outro exemplo de como funcionam as plataformas e que eu acho tão importante quanto os valores pagos:  tempos atrás o MC cearense Don L postou no twitter informações de uma faixa dele no Spotify e a mesma faixa no Tidal e a diferença na ficha técnica era  gritante. Enquanto o spot tinha apenas o artista e o produtor, o Tidal te passava a ficha técnica completa. Isso pode não ser importante para o público em geral, mas isso não é importante para você que é artista? 

Perguntamos isso por que diariamente recebemos mail de bandas e assessores divulgando novos lançamentos com, no máximo, link de spotify, deezer e, vez por outra, youtube. O que te faz ter suas escolhas tem que ir além da propaganda, por que arte sempre vai muito além disso.

E o bandcamp? O bandcamp exite desde 2007 e é bem mais que uma plataforma de música/streaming. É um híbrido de rede social, por que além de mostrar sua música, te coloca em contato direto com quem consome. É tipo aquela feira de publicações independentes ou de vinis que sempre existiu em todas as cidades em todo lugar do mundo. Ele é um espaço similar a mixcloud, soundcloud da vida, onde é possível upar músicas para download gratuito e streaming. Inclusive, você não precisa ser o artista pra isso. Por isso, a primeira onda de popularidade do site veio através de coletâneas e compilações de djs, selos indies, etc.

Hoje em dia, o site da a opção de conta gratuita para artistas e fãs, além de contas premiuns (pagas) para artistas e selos. A opção de free download vem sendo substituída pelo name your price (onde você pode colocar zero). Ainda existe o free download em perfis com poucos releases, mas hoje em dia os downloads gratuitos são limitados em 200 por mês em cada perfil. Além disso é possível vender seus álbuns virtuais colocando o preço que você quiser e também vender materiais físicos como camisetas, k7, cds, vinis, etc.

Ou seja, mesclando a venda do físico com o digital, recebendo uma porcentagem honesta e que está bem clara para todo mundo envolvido com a plataforma. E ainda dando a opção de você criar link com outras pessoas na própria plataforma, na qual é possível enviar mensagens diversas para seus seguidores ao redor do mundo, inclusive contendo links que te levam pra fora do bandcamp, diferente da maioria das redes sociais do zuck.

Recentemente, saiu um textão enorme do Damon Drukowski onde ele faz uma analise comparativa entre o bandcamp e o spotify. O texto foi publicado originalmente no site da rádio NPR, mas foi habilmente traduzido para o português pela Julie Marques e publicado na integra no médium da Tefo Press. O mesmo texto foi destrinchado com ótimos comentários pelo grande Fernando Augusto Lopes no FLOGASE. E lá, ele vai muito além de onde eu estou indo por aqui, com relação a ambas as plataformas, por mais que convergimos nossas ideias em diversos momentos.

O bandcamp vem crescendo ano após ano em todos os locais do mundo. E agora, durante a pandemia, devido à empatia (que o site sempre teve com música, artistas e selos) e ao grande cuidado com a obra dos artistas. Lá é possível acessar álbuns completos e EPs na ordem cronológica de lançamento e que podem ser escutados na íntegra em sua ordem original, sem essa história de ouvir de forma randômica, tal qual o spotify. É bom deixar claro que não existe um valor fixo por streaming, ou seja, ninguém recebe nada pelo streaming no bandcamp, mas também não existe propaganda para o ouvinte e nem necessidade de cadastro para curtir o som.

Ou seja, o bandcamp cresceu pelo cuidado que tem tomado ao longo de todos esses anos com a música, artistas e selos, além da possibilidade de negócios a preços acessíveis para o fã, os artistas e a plataforma.

E aproveitando o momento único de uma pandemia mundial, e o fato de que estamos inseridos dentro do mercado capitalista, mesmo não sendo culpa nossa. A plataforma tomou uma atitude bastante nobre e que também foi/ está sendo/ é uma baita propaganda mundial para o Bandcamp. A criação do Bandcamp Friday. No qual, uma sexta-feira por mês, a plataforma abre mão de qualquer repasse de porcentagem, deixando toda a grana na mão do artista/ selo. Nomes como Jair Naves, gorduratrans, rakta, pra citar alguns exemplos, tem lançado releases especiais (bootlegs, remixes, versões diferentes, faixas extras) exclusivamente no bandcamp dentro do Bandcamp Friday.

Era óbvio que a propaganda gratuita que a plataforma iria ganhar, atrairia novos fãs e também novas bandas e selos para dentro do bandcamp. Somando isso a todas as vantagens ditas acima no meu texto e nos textos da NPR e do Flogase. Além da enorme propaganda que é diversas bandas e artistas compartilhando seus links no bandcamp em todas as redes sociais do mundo, acredito que o bandcamp talvez tenha conseguido estourar a tal da bolha atualmente.

Se por um lado, as plataformas te pagam mal pelo streaming, o bandcamp te dá a oportunidade de vender seu som, seu merch, criar textos e links com seus ouvintes (sem intermediários) e com a segurança da venda dentro de uma plataforma que sempre se mostrou honesta aos olhos de todo mundo. A pandemia fez crescer muito o streaming no mundo. Quando a única opção é virtual. É necessário pesar pros e contras e se isso for feito, o bandcamp é muito melhor pros artistas (indies, grandes e novos nomes pouco conhecidos) e pros fãs.

Mas o mercado é o mesmo de antes e o artista grande, com publicidade e mais popularidade, sempre terá mais atenção. O que cabe é pesar se é positivo ou negativo estar nos espaços. Mas te garanto que o mesmo acontece em todas as plataformas.  Se não existe Beyoncé no bandcamp, existe bjork, sonic youth, sun rá, que provavelmente puxam os números pra cima. Óbvio que também existem os hits do bandcamp (selos e artistas que estão lá há muito tempo e tem uma grande rede, mas não são ou nunca estiveram no mainstream), mas não quer dizer que, agora, qualquer um que chegar ao bandcamp ira receber dinheiro diariamente por isso.

Porém, se você lembra o que falei lá em cima, o quão fraca anda a nossa moeda, e pensa no fato de que o dólar está altíssimo no Brasil, vale a pena estar no bandcamp só pelo fato da moeda utilizada na plataforma não ser o Real. Somado isso, ao hype atual e a benevolência de fãs de todos os locais do mundo, que frequentam a plataforma por realmente gostarem de música. É super positivo você alimentar sua pagina lá com uma frequência boa e divulgar ela em todos os espaços possíveis, fazendo bons usos das tags e acompanhando os diversos posts da própria plataforma sobre a música e as tendências musicais no mundo. Fazendo isso, com certeza irão pingar uns dólares, que quando convertidos para o real, podem até pagar umas contas.

E por que abrir um selo virtual agora?! Primeiro, era uma ideia antiga e aproveitamos a pandemia pra por em prática. Segundo, a ideia de resgatar sons antigos para o streaming vai de encontro a nossa ideia inicial de depósito de álbuns. Acreditamos que o streaming vai durar por muito tempo e queremos ver se é possível manter "todas as músicas do mundo" na nuvem, como eles dizem que tem. O ato de ouvir é bastante individual, então achamos importante disponibilizar o máximo de sons diferente possíveis em todos os espaços. Se você prefere ser alimentado pelos outros e não por conta própria, nem sei o que você tá fazendo aqui.

Tanto que aqui no blog/site do selo, nos tentamos disponibilizar o máximo de links de streaming possíveis (saca os posts dos 20 álbuns lançados até agora por aqui). Tanto para dar a opção além do que a publicidade te diz pra seguir no serviços de streaming, mas também te dá a escolha de tentar ouvir música em plataformas diferentes. Todos os álbuns resgatados por aqui, também estão em um bandcamp exclusivo pro selo, para download no formato name your price, onde você coloca o valor que quiser.

E o que podemos dizer sobre o selo até então? Vamos então fazer dois estudos com o selo:

O álbum com mais audições no spotify e demais plataformas de streamings é o registro ao vivo na Marthe Festival 2019 da mc mineira nabru. Acredito que seja o mais ouvido pelo fato de hip hop estar hypado e a tag faz a pessoa flutuar por diversos sons além dx artista onde você começa a sua audição na plataforma. Atrelado a isso, tem o fato da nabru ser uma artista bastante ativa, com vários novos lançamentos e um talento incrível. A ascensão do hip hop e do streaming tem uma conexão, quando a periferia começou a usar streamings, foi através do youtube e do souncloud, o youtube é um veiculo tão importante para as majors e plataformas de streaming que hoje em dia tem uma plataforma específica para música. 

Além disso, o comparativo para o álbum que upamos da nabru são sons antigos e de nicho que estamos disponibilizando. Então, faz sentido uma artista atual e que tem lançado material com frequência ter mais atenção que bandas que não existem mais, né? Mesmo que no montante, esses números não cheguem nem a R$ 3,00.

Falando em som de nicho e bandas em atividade. O outro estudo é o bootleg da Rakta, que também upamos em todos os streamings (meu bootleg favorito em muito tempo). Mesmo sendo uma espécie de "hit" no bandcamp da banda e em downloads no nosso blog, o material tem pouca audição nas plataformas de streaming. E quando tem, as audições passam longe de ser no spotify. Isso é um baita exemplo de banda alternativa que trabalhou bem o bandcamp a ponto de criar uma comunidade de interesse em torno dos seus sons e releases até hoje. E que, talvez por isso, não tenha tanta atenção nas plataformas de streamings populares no Brasil. Por mais que todos os releases oficiais também estejam por lá.

Também é exemplo de outra coisa muito importante no que tange o mercado, principalmente anterior a pandemia. A rakta é uma banda que se jogou pra gringa e se vende fazendo shows, no palco. E show vende além de mais shows, mas merchants como vinis, camisetas, etc e também arquivos digitais. Então quem chamou a atenção ao vivo antes do mundo parar de ter shows, conseguiu manter o interesse do público lançando materiais online ao longo desse ano estranho e se aproveitou dessa crescente dos streamings.

Pra não dizer que não opinei, eu concordo com a ideia da rakta de estar em todos os espaços possíveis, mesmo que divulgando e investindo mais nos locais que fazem bem para sua banda, seja pelo som, pelo modelo de negocio ou valore trabalhados. O objetivo deste texto nem de longe foi resolver ou solucionar nada, no máximo confundir pra esclarecer.

 Sigam seu próprio caminho!

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